Pré-sal

5 Firsts: cinco marcos pioneiros na indústria de óleo e gás

Este conteúdo faz parte de uma série que apresenta quatro temas que foram destaque na participação da Petrobras na Offshore Technology Conference (OTC) 2019.

Inovações que serão um legado para a indústria mundial de petróleo e gás. Assim podem ser definidas as tecnologias desenvolvidas pela Petrobras para o Teste de Longa Duração (TLD) de Libra e que receberam o prêmio Distinguished Achievement Award durante a edição brasileira da Offshore Technology Conference (OTC), em outubro de 2019. Essas soluções pioneiras permitiram não só redução dos custos operacionais, como também aumentaram a produtividade e eficiência na produção da jazida, com potencial de serem aplicadas em projetos futuros da companhia. 
 
O Teste de Longa Duração teve o objetivo de avaliar o comportamento do reservatório de petróleo, ampliando o conhecimento das características da jazida. Cláudio Valença, engenheiro de equipamentos do projeto de Libra explica:

O uso de tecnologias inovadoras e a estratégia de redução de riscos utilizando o TLD se mostrou eficiente e aumentou a confiabilidade. Além disso, permitirá implantar os projetos definitivos do campo em menos tempo. Após a aquisição de dados dinâmicos de longa duração foi possível não só aumentar a produção de óleo, mas elaborar a melhor definição, entre diversas alternativas possíveis, do plano de desenvolvimento desta área tão grande e geologicamente tão complexa.

Ritmo acelerado e recorde de produção

Se a Bacia de Campos foi o ponto de partida da nossa jornada tecnológica em águas profundas, o pré-sal da Bacia de Santos empurrou a companhia a desenvolver uma nova fronteira de petróleo e gás, sem paralelo na indústria — a cerca de 300 km da costa, sob altas pressões e em condições únicas de reservatório. O bloco de Libra, também localizado no pré-sal, representa um passo à frente por apresentar desafios inéditos que passam pela elevada presença de gás carbônico associado à lâmina d’água ultraprofunda que chega a mais de 2 mil metros.
 
Além das propriedades comuns ao pré-sal, como colunas de óleo com grandes espessuras e rochas com excelente porosidade, os reservatórios de Libra apresentam petróleo com características muito diferenciadas: maior quantidade de gás associado e maior presença de gás carbônico, que chega a 44% do gás associado contido no reservatório. As altas pressões encontradas no campo também transformaram a área em um enorme desafio, o que exigiu o desenvolvimento de soluções inéditas especialmente adaptadas a esse ambiente.

Nessas condições extremamente adversas, alcançamos marcos que foram reconhecidos como pioneiros para a indústria de óleo e gás. São os “5 Firsts”, descritos a seguir:

1: SOLUÇÃO AMBIENTAL

Realizamos o primeiro Teste de Longa Duração (TLD) offshore que reaproveitou o gás carbônico produzido para aumentar a produtividade do reservatório. Essa inovação é considerada ambientalmente correta, pois impede a queima contínua de gás, evitando a emissão de CO2 na atmosfera.

A função do TLD é avaliar a produtividade do poço e o comportamento do reservatório, que é formado abaixo de quilômetros de sal e marcado por falhas e intrusões vulcânicas. Ao coletar dados do reservatório, esse método contribuiu para fortalecer a estratégia de gerenciamento de riscos para desvendar as incertezas e também acelerar a produção do bloco de Libra.

2: UM ÚNICO POÇO BATE RECORDE DE PRODUÇÃO

Em setembro de 2018, apenas um poço de Libra chegou a produzir em média 60 mil barris de óleo equivalente (boed), um recorde mundial. Este resultado expressivo confirmou, em condições desafiadoras, não só a alta produtividade da área, como também a excelência do reservatório.

3: DUAS POLEGADAS A MAIS É MUITA COISA
Pela primeira vez, usamos dutos com 8 polegadas (cerca de 20 cm) em águas ultraprofundas, que suportam maior pressão e vazão de petróleo. As duas polegadas a mais dos dutos refletiram em um aumento da produção da ordem de 15 mil boed. A prática até então vigente era utilizar dutos de até 6 polegadas.

4: MÉTODO INÉDITO
Outro marco foi o primeiro pré-lançamento de linhas flexíveis (dutos) com flutuadores em águas ultraprofundas. Para se ter ideia da grandiosidade desse método, cada curva das linhas tem uma altura de 600m, ou o equivalente a quase dois Empire State Building subaquáticos.

Esse método permitiu a instalação da estrutura de equipamentos submarinos, antes mesmo da chegada do navio-plataforma Pioneiro de Libra, que operou o TLD em 2018. Resultado: a produção do poço foi antecipada em 43 dias em comparação com os prazos convencionais e a prática será replicada para acelerar o início da produção dos próximos projetos de Libra.

5- UM TURRET COM O MAIOR SUPORTE
Em Libra, desenvolvemos o turret (ou torre) com a maior capacidade de carga vertical num turret externo em águas ultraprofundas da indústria. O equipamento pode sustentar 700 toneladas das linhas submarinas, o equivalente ao peso de quatro Boeings 747.

O turret consiste no equipamento de ancoragem utilizado em embarcações do tipo FPSO. Por ele passam as diversas tubulações que conectam os poços à plataforma. Ao concentrá-las num único ponto de entrada, o FPSO pode girar no próprio eixo para manter o alinhamento ao vento e à correnteza, sem, por exemplo, emaranhar os cabos e tubulações a ela conectados.

Saiba mais sobre essas tecnologias no vídeo abaixo:

Imagem thumb do vídeo

Localizado na área do pré-sal da Bacia de Santos, o bloco de Libra é uma das nossas grandes apostas para o futuro. Descoberto em 2010, possui reservatórios com colunas de óleo que chegam a 400 metros de espessura, o equivalente à altura do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro. Um desafio que vem sendo enfrentado pelo consórcio liderado pela Petrobras (40%), em parceria com a Shell, Total, CNOOC e CNPC, além da companhia estatal Pré-Sal Petróleo (PPSA), que atua como gestora do contrato. O consórcio assinou em 2013 o primeiro contrato de partilha de produção do Brasil. 

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