Conexões para Inovação

O ecossistema das startups

Como o modelo das startups está revolucionando o mercado

A cada dia, ouvimos mais e mais sobre startups. Se, a princípio, esse universo com expressões e dinâmicas de trabalho bem diferentes das convencionais parece um bicho de sete cabeças, quando passamos a conhecer melhor esse modelo de negócio inovador, vemos que os únicos animais envolvidos são os unicórnios. Mas o que esses seres mitológicos têm a ver com startups? E por que tanto se fala que essas empresas estão revolucionando o mercado?

Antes de tudo, precisamos entender o que diferencia as startups das empresas tradicionais. Alto grau de inovação, uso intensivo de tecnologia, estrutura enxuta e escalabilidade — o poder de expandir o modelo de negócio sem aumento proporcional de custos operacionais — são características e objetivos comuns a todas as startups.

Essa nomenclatura era utilizada originalmente nos Estados Unidos para o processo de abrir uma empresa, mesmo se tradicional, e iniciar as operações (start-up, em inglês e com hífen, significa começar algo). Foi a partir da expansão e popularização da Internet, no final dos anos 90, que a expressão passou a ser associada com um tipo específico de negócio, envolvendo uma ideia diferente e com grandes chances de alta rentabilidade.

É um modelo de negócio acelerado, alinhado à velocidade dos tempos atuais, com novas tecnologias surgindo a cada momento. Criar e desenvolver rapidamente soluções que permitam fazer mais com menos, com foco no aumento da produtividade, está incorporado ao espírito inovador de quem trabalha nas startups. As equipes costumam ser enxutas, porém altamente engajadas, acreditando no propósito do negócio. Isso se reflete nos números: em média, as startups crescem 200% ao ano, enquanto empresas tradicionais estão em uma trajetória de 10% a 20% de crescimento na mesma faixa de tempo.

A força das startups está no ágil desenvolvimento de novas tecnologias ou soluções inovadoras. Enquanto isso, no modelo de negócio tradicional, estudos apontam que muitos projetos fracassam na fase crítica, que vai da concepção de uma ideia até a viabilidade comercial. E é aí que as iniciativas de incentivo às startups entram, para aproximar as empresas tradicionais desse ambiente favorável à inovação e com grande potencial de retorno financeiro.

Estamos entrando nesse ecossistema com o lançamento de uma chamada pública de projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) em parceria com o Sebrae. Voltada para startups e pequenas empresas inovadoras, a iniciativa prevê um investimento de até R$ 60 milhões nos próximos cinco anos e faz parte do programa Petrobras Conexões para Inovação, criado para estimular o desenvolvimento de soluções tecnológicas que atendam às necessidades de negócio de petróleo, gás e energia.

Nesta primeira fase, vamos financiar até dez projetos, com um investimento total de até R$ 10 milhões em seis áreas importantes para todo o setor: tecnologias digitais; captura e utilização de carbono; novas energias; nanotecnologia; corrosão; e catalisadores. Pode participar qualquer micro ou pequena empresa inovadora, com ou sem parceria de instituições científicas e tecnológicas.

Essa aproximação das startups é um movimento que está se tornando comum no mercado. Uma pesquisa feita anualmente, em 47 países, pela consultoria EY com executivos de empresas com faturamento superior a US$ 250 milhões revelou neste ano que 59% deles têm interesse em fusões e aquisições nos próximos 12 meses, citando como principal motivador absorver conhecimento das startups para transformar o seu negócio. No Brasil, que figura no nono lugar na lista dos dez principais destinos para investimentos, 47% dos entrevistados pensam da mesma forma.

Três cidades brasileiras estão atualmente no Top 100 do ranking da StartupBlink das cidades que estimulam um ecossistema de startups: São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, na 23ª, 64ª e 70ª posições, respectivamente. Nossa parceria com o Sebrae é fundamental na jornada de desenvolvimento do mercado brasileiro. Presente em praticamente todo o país, a instituição promoverá o acesso de micro e pequenas empresas a consultorias especializadas para a melhoria de processos gerenciais e tecnológicos, além do apoio intensivo ao monitoramento físico-financeiro dos projetos. Assim será possível a inserção competitiva dessas empresas na indústria de óleo e gás.

Mas, afinal, o que um unicórnio tem a ver com isso?

Quem habita o universo das startups está acostumado com um linguajar peculiar. Conheça as principais terminologias e fale também esse “idioma”:

Unicórnio — Assim como na lenda do ser mitológico, é raro ver um unicórnio por aí. Para ganhar esse status, é preciso entrar em uma seleta lista de startups com valor estimado de US$ 1 bilhão ou mais, em uma avaliação feita por uma agência de capital de risco. A lista varia constantemente, mas atualmente há mais de 360 unicórnios pelo mundo, sendo cinco brasileiros, de serviços financeiros digitais à plataforma on-line para pedido de comida de restaurantes: Nubank, iFood, Loggi, Gympass e Movile.

Investidores-anjos (angels) — É uma analogia com aqueles que são os anjos da guarda dos empreendedores: pessoas físicas que dão aporte financeiro para novas startups promissoras, apostando no sucesso do negócio e em ideias que ainda não foram totalmente desenvolvidas. Geralmente são empresários experientes que, além do capital financeiro, também contribuem com conhecimentos e rede de relacionamentos, apoiando e orientando o novo empreendedor. Em retorno, os anjos normalmente recebem uma participação minoritária no negócio.

Inovação aberta (open innovation) — Um método de inovação que prevê o uso de recursos externos à organização para o desenvolvimento de soluções tecnológicas, aumentando a eficiência e a rentabilidade do negócio. Ao adotar o modelo de inovação aberta, empresas e instituições promovem uma discussão clara sobre algumas de suas ideias, pensamentos, processos e pesquisas, coletando boas práticas do mercado.

Growth hacking — É o uso de táticas de baixo custo que possibilitam um rápido desenvolvimento da empresa (growth, em inglês, significa crescimento, enquanto hacking que vem do termo hack, quer dizer programar de forma excepcional). Para fazer isso, os profissionais que atuam nessa área, conhecidos como growth hackers, contam com criatividade, pensamento analítico e métricas para encontrar “gatilhos”, soluções inovadoras capazes de promover um crescimento acelerado.

Hackathon — Se unirmos a prática de hack ao termo de origem inglesa marathon, que significa maratona, temos um hackathon, uma competição de desenvolvimento tecnológico que pode durar dias e que tem como objetivo criar uma solução para o problema indicado, com premiação do melhor projeto apresentado.

Pitch As ideias e projetos em um hackathon são apresentados no formato pitch, que consiste em vender rapidamente sua ideia de forma convincente e em poucos minutos. Durante os hackathons, essa apresentação pode ser feita em um tempo maior, como 20 minutos, por exemplo. O termo tem origem na expressão “elevator pitch, que nada mais é do que apresentar os benefícios da sua ideia ou produto para um potencial investidor em uma breve viagem de elevador. Pitch é a mesma palavra usada para arremesso em inglês: assim como na hora de apresentar seu negócio, velocidade e eficiência no arremesso também são essenciais em partidas esportivas.

Lean startup — Filosofia de trabalho que tem como princípio o fato de que erros são inerentes ao desenvolvimento de soluções, então é melhor testá-las rapidamente para corrigir o que for necessário o quanto antes, minimizando os impactos no negócio. Assim, em vez de suposições, o projeto caminha com base nos resultados dos testes práticos de aplicação da solução em situações reais para as quais ela foi concebida.

MVP (Minimum Viable Product) — O “mínimo produto viável” está diretamente ligado ao conceito de lean startup: é necessário ter uma solução embrionária com as principais características já desenvolvidas para que os testes práticos de aplicação possam ser feitos.

Customer development — Além dos testes práticos, o conceito de lean startup também engloba a validação da solução desde o início com aqueles que vão utilizá-la. Esse desenvolvimento junto aos consumidores (customer development) traz vantagens para as empresas tradicionais que investem em startups, que têm como retorno soluções personalizadas e mais adequadas ao seu segmento de atuação.

Incubadora — Instituição que apoia startups no desenvolvimento inicial de suas ideias de negócio.

Aceleradora — Etapa seguinte à incubação, é um apoio para o crescimento das startups tanto por meio de investimentos financeiros, quanto por mentoria e infraestrutura física.

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