Meio Ambiente

Combatendo uma emergência ambiental

Quando foi admitido, em 1993, o condutor de embarcações, Luiz Henrique Ramos da Silva, jamais poderia imaginar que hoje, em 2019, estaria trabalhando em uma atividade tão diferente. Formado pela Marinha Mercante, Ramos entrou na Petrobras com a missão de conduzir rebocadores. A necessidade e dinâmica de mudança o levou a uma nova missão, o combate a emergências ambientais.

Luiz Henrique Ramos, condutor de embarcações

Desde os primeiros dias de setembro, Ramos assistia aos jornais com uma atenção especial para a notícia de que manchas de óleo cru de origem desconhecida estavam aparecendo em diversas praias do Nordeste. A experiência de quem trabalha há 16 anos no combate a emergências ambientais lhe permitia prever que, em algum tempo, as manchas poderiam alcançar as praias de Sergipe.

Praia atingida por óleo de origem desconhecida (SE)

Por diversas vezes, o estado de Sergipe já foi prejudicado pela aparição das chamadas “manchas órfãs” de óleo, que geralmente é resultado da limpeza irregular de cascos de navios que navegavam pela costa. E no combate à muitas dessas emergências, Ramos é presença marcante.

Análises da Petrobras e outros órgãos externos constataram que o material não foi produzido e nem comercializado no Brasil (saiba como esse teste é feito em: O DNA do petróleo).

No dia 23 de setembro, recebemos dos técnicos que realizam monitoramento permanente, na costa de Sergipe, a notícia sobre a presença de óleo no estado. Em articulação com O IBAMA, foram montadas quatro frentes de combate em Sergipe, um dos estados mais afetados em extensão (veja mais sobre nossa atuação em todo o Nordeste). Em uma dessas frentes, localizada na Praia do Viral, em Aracaju, acompanhamos Ramos em um dia de limpeza.

Limpar sem gerar danos adicionais

Ao chegar na frente de combate à emergência, embarcamos numa caminhonete equipada com tração nas quatro rodas, sem a qual é impossível chegar aos locais de difícil acesso atingidos pelo óleo. No assoalho do carro, a areia se acumula.

No caminho, Ramos explicou um pouco sobre o trabalho que estava sendo feito. Equipadas com pás, gadanhos e outras ferramentas, as equipes realizam uma raspagem superficial e a remoção de areia oleada, mas com o cuidado de retirar o mínimo possível de areia limpa. O trabalho é difícil por conta da viscosidade do material. As ferramentas mais pesadas são o último recurso, usado quando o método mais simples não é capaz de remover o óleo.

Após a remoção, o material é guardado em big-bags, bolsas impermeáveis, apropriadas para esse tipo de resíduo. As bolsas ficarão armazenadas temporariamente num depósito da empresa, preparado e licenciado. Posteriormente, os resíduos serão entregues aos órgãos ambientais locais, que deverá fazer a destinação final.

Um trabalho inspirador

Ramos contou um pouco sobre os desafios enfrentados pelas equipes que realizam a limpeza.

Esse é um trabalho que emociona. Só quem participa sabe o que é acordar quatro ou cinco da manhã, se deslocar para um local distante e, sob o sol quente, longe da família, combater uma emergência.

A atividade de quem trabalha no combate a emergências ambientais constrói conexões não apenas com a natureza, mas com pessoas.

Os agentes ambientais requisitados para as atividades são pessoas da comunidade. Temos a oportunidade de passar um pouco do nosso conhecimento.

Essa relação de disseminação de conhecimento não é temporária. Possuímos programas permanentes, como o PEVO (Plano de Emergência para Vazamento de Óleo), por meio dos quais capacita moradores a colaborar.

O estudante Erik Santos (20 anos), morador do município de Pirambu - SE, é um dos agentes ambientais que está trabalhando na limpeza das praias. "Esse trabalho é importante para toda a sociedade já que o ambiente é de todos."

Erik trabalhando na retirada manual de de areia oleada

Em cada unidade onde atuamos, existe um Plano de Emergência Individual (PEI) para vazamento de óleo, associado ao que é realizado pela empresa no local. Há vários cenários possíveis mapeados, que são simulados em dois treinamentos anuais. As equipes possuem equipamentos, conhecimento e, graças aos constantes simulados, a prática necessária para o combate a emergências. Em Sergipe são duas bases avançadas (Mosqueiro e Abaís) para resposta imediata a emergências. Nessas localidades, possuímos cadastrados dezenas de agentes ambientais, assim como o Erik, que são treinados e participam dos simulados de combate em emergências ambientais.

O conhecimento adquirido com os treinamentos e o trabalho em si é algo que transforma, que levamos para a vida, concluiu Erik.

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