Meio Ambiente

Energia em renovação: 40 milhões de tartarugas no Tamar

Foi o desejo de transformar em realidade o sonho de preservação das tartarugas marinhas que levou o jovem Guy Marcovaldi e seus amigos a criarem o Projeto Tamar, em 1980. Depois de dois anos de levantamento das principais praias de reprodução das tartarugas marinhas por todo o litoral brasileiro, foram implantadas as primeiras bases (Praia do Forte/BA, Pirambu/SE e Regência/ES). Nessa época, já com o apoio da Petrobras, nasceram os primeiros dois mil filhotes de tartarugas marinhas protegidos.

Hoje, 37 anos depois, nossa aposta na visão de futuro sustentável proposta por Guy e seus amigos frutificou. Atualmente, o Projeto Tamar-Fundação Pró-Tamar está presente em 26 localidades, distribuídas em áreas prioritárias de desova, alimentação, migração e descanso, e a cada temporada reprodutiva o número de filhotes que nascem nas praias monitoradas pelo Projeto passa de 2 milhões, além de muitas tartarugas que são protegidas e salvas da captura incidental na pesca. Estudos científicos mostram que as populações de tartarugas marinhas no Brasil estão se recuperando.
A prova é que seus integrantes se orgulham de dizer que, em breve, o Tamar vai atingir a marca de 40 milhões de tartarugas marinhas protegidas.

“Podemos inclusive dizer que a tartaruga de número 40 milhões já existe e navega em uma viagem transcontinental rumo às praias brasileiras. Mas é importante lembrar que a cada mil tartarugas que nascem, apenas uma ou duas sobrevivem e completam seu ciclo de vida”, explica Guy.

Parte deste impressionante resultado para o Brasil, segundo ele, se deve uma rede formada por pescadores, moradores locais, oceanógrafos, biólogos, engenheiros de pesca e veterinários, que trabalha continuamente para afastar da ameaça de extinção.

No litoral de Sergipe são monitorados cerca de 125 km de praia através de três bases: Abais, Pirambu e Ponta dos Mangues. A tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) é a espécie predominante desovando na região, e que vem apresentando um aumento no número de desovas, associado ao crescimento do número de tartarugas fêmeas adultas ao longo dos anos. Outro importante resultado está associado à reocupação de algumas áreas. Algumas praias da Bahia que ainda não tinham sido associadas à preferência das olivas, hoje registram desovas em maiores proporções. E por fim, além do aumento e da reocupação, as olivas também expandiram o período de reprodução. Desovas que antigamente eram registradas apenas entre quatro e seis meses já são observadas ao longo de todos os meses do ano.
 

Sobre o Tamar


O Projeto TAMAR começou em 1980 a proteger as tartarugas marinhas no Brasil. A Fundação Pró-Tamar executa a maior parte das ações descritas no PAN - Plano de Ação Nacional para a Conservação das Tartarugas Marinhas no Brasil do ICMBio/MMA. A Petrobras é a patrocinadora oficial do Projeto TAMAR-Fundação Pró-TAMAR, por meio do Programa Petrobras Socioambiental. O Projeto Tamar trabalha na pesquisa, proteção e manejo das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no país, todas ameaçadas de extinção: tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), tartaruga-verde (Chelonia mydas), tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) e tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea). Protege cerca de 1.100 quilômetros de praias e está presente em 26 localidades, em áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso das tartarugas marinhas, no litoral e ilhas oceânicas dos estados da Bahia, Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.

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