A história do futebol feminino: do primeiro time à proibição e o cenário atual
Conheça o histórico do futebol feminino no mundo. Descubra algumas das principais atletas e veja como o esporte está recebendo o reconhecimento que merece.
- O British Ladies' Football Club, fundado em 1895 na Inglaterra, é o primeiro clube de futebol feminino conhecido;
- O futebol feminino foi proibido na Inglaterra em 1921 e no Brasil em 1941;
- No Brasil, a proibição caiu em 1979, e a modalidade foi regulamentada em 1983;
- Copa oficial em 1991, Olimpíadas em 1996, Libertadores em 2009 e Brasileirão em 2013 marcam a modalidade;
- Patrocinamos o futebol feminino, e o Brasil vai sediar a Copa do Mundo Feminina de 2027.
Muito se fala que o Brasil é o país do futebol. Afinal de contas, fomos o primeiro país a conquistar cinco Copas do Mundo de futebol masculino e lançamos alguns dos maiores craques da história do esporte. E, claro, o saudoso Pelé, que foi eleito o “Atleta do Século" pelo Comitê Olímpico Internacional, em 1999.
Ainda assim, é possível notar uma certa invisibilidade das mulheres no futebol brasileiro. Boa parte desse reconhecimento todo ainda se mantém restrito à categoria masculina. Se muita gente acha que “jogar bola é coisa de menino", o motivo não é por acaso: até poucas décadas atrás, o futebol era proibido para as mulheres em diversos países.
Mas nada pode parar a energia delas. Descubra mais sobre a história do futebol feminino!
Qual é a história do futebol feminino?
O futebol mundial hoje ainda parece ser dominado pelo público masculino, mas nem sempre foi assim. Já no final do século 19, havia atletas mulheres fazendo gols, dribles e história, especialmente na Inglaterra. Quando o esporte estava ganhando fama, foi proibido em vários países, incluindo o Brasil, e desencorajado por décadas.
A partir da década de 1980, o futebol feminino e o papel da mulher no futebol lentamente voltaram a ser reconhecidos. Mas somente agora estão voltando aos holofotes e a receber grandes públicos.
Vamos explorar um pouco sobre os detalhes dessa história. Ao final deste conteúdo, você também poderá encontrar outros artigos usados como referência para se aprofundar no tema.
1894-95: surge o primeiro time de futebol feminino
Já no final do século 19, o futebol era praticado por mulheres corajosas que enfrentavam preconceitos na época. Na Inglaterra, foi fundado, então, o primeiro clube de futebol feminino conhecido: o British Ladies' Football Club. As jogadoras eram apoiadas pela presidente do clube, Lady Florence Dixie, já conhecida na época por reivindicar os direitos das mulheres.
O clube era formado por duas equipes, chamadas de Norte e Sul. E sua importância também vai além da igualdade de gênero: segundo o Arquivo Nacional do Reino Unido, acredita-se que o time Sul incluía a primeira jogadora negra britânica conhecida.
1921: o futebol feminino é proibido na Inglaterra
Nas primeiras décadas do século 20, algumas atletas já haviam conquistado uma certa fama e o coração dos torcedores. É o caso da lendária Lily Parr, do Dick, Kerr Ladies. Ela ajudou a reunir 46 mil torcedores em uma partida contra o St Helens Ladies no Goodison Park, em 1920.
Alguns jornais da época falaram em 53 mil pessoas. Esse foi o maior público do futebol feminino na Inglaterra até os Jogos Olímpicos de 2012.
Em 1921, porém, a Associação de Futebol inglesa (FA) proibiu as partidas de mulheres nos campos dos clubes filiados a ela. Consideraram o esporte inadequado para elas. A partir da proibição, as atletas foram obrigadas a jogar apenas em competições não reconhecidas oficialmente, em campos e parques.
1941: o futebol feminino também é proibido no Brasil
O pensamento de que o esporte era inadequado às mulheres se espalhou e, em 1941, a proibição oficial ao futebol feminino também chegou ao Brasil. Na prática, o esporte não foi citado. Foi proibida “a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza", o que também englobou outros esportes na época.
Em 1965, uma nova norma detalhou quais esportes as mulheres não podiam praticar. O futebol passou a ser citado de forma expressa, ao lado do futebol de salão e do futebol de praia. Essa proibição caiu apenas em 1979.
1958: é criado o primeiro time de futebol feminino do país
Em 1958, o Araguari Atlético Clube, do interior de Minas Gerais, montou um time feminino que ficou conhecido como pioneiro no Brasil. A quantidade de jogadoras reunida foi suficiente para criar dois times, que visitaram cidades de diferentes estados brasileiros e lotaram estádios. O clube era ligado à Federação Mineira de Futebol (FMF).
O time recebeu até mesmo um convite para jogar no México, o que nunca aconteceu. Devido à pressão da Igreja local e do Conselho Nacional de Desportos, o time feminino do Araguari teve curta história. Chegou ao fim pouco mais de um ano depois da sua fundação.
1970 e 1971: as Copas do Mundo não oficiais
Em 1970, a Federação Internacional Europeia de Futebol Feminino (FIEFF) resolveu criar um campeonato para dar espaço às futebolistas mulheres. Para isso, sete equipes nacionais foram convidadas para competir na Itália. A Dinamarca se consagrou como a primeira seleção feminina campeã do mundo.
No ano seguinte, em 1971, a FIEFF organizou uma segunda competição mundial, dessa vez no México e com seis equipes. Mais uma vez, a Dinamarca voltou para casa vencedora. A grande final dessa Copa do Mundo reuniu cerca de 110 mil espectadores no Estádio Azteca, segundo estimativas da época. As campeãs foram recebidas como celebridades, mas, infelizmente, a competição acabou sendo esquecida pelo imaginário popular.
1983: o futebol feminino é regulamentado no Brasil
Finalmente, depois de mais de 40 anos, o futebol feminino foi regulamentado e oficializado no Brasil. No mesmo ano, foi realizada a Taça do Brasil, torneio nacional. Mas, com tantas décadas de proibição, infelizmente o esporte feminino perdeu força e até hoje está recuperando o merecido espaço.
1991: a primeira Copa do Mundo feminina reconhecida oficialmente
A primeira Copa do Mundo feminina de futebol oficial aconteceu em 1991. Três anos depois do Torneio Experimental da Fifa, realizado na China em 1988 para estudar o impacto do futebol entre mulheres.
Doze países participaram da Copa, também disputada na China. As regras eram um pouco diferentes das que conhecemos hoje: na época, os jogos tinham apenas 80 minutos de duração. O time brasileiro acabou sendo eliminado ainda na fase inicial, de grupos, e a seleção dos Estados Unidos saiu vencedora.
1996: o futebol feminino chega às Olimpíadas
Cinco anos após seu primeiro campeonato mundial oficial, o futebol feminino também estreou nos Jogos Olímpicos de Verão, na edição de Atlanta, em 1996. A seleção dos Estados Unidos foi campeã, e até hoje se mantém como a equipe com mais medalhas de ouro: das oito edições, até 2024, as atletas estadunidenses venceram cinco!
2013: nasce o Brasileirão Feminino
Trinta anos depois da regulamentação das mulheres no futebol no Brasil, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) criou a primeira edição do Campeonato Brasileiro exclusivo para elas: o Brasileirão Feminino.
A competição contou com as 20 melhores equipes do ranking da CBF, e o time Centro Olímpico, de São Paulo, levou o troféu para casa. A partir da competição de 2017, o número de equipes caiu para 16 e também foi criada a segunda divisão.
2019: times da Libertadores precisam ter equipes femininas
A Copa Libertadores Feminina já é disputada pelas mulheres desde 2009. Mas, alguns anos depois do surgimento da competição, o número de times sul-americanos femininos ainda era baixo. O foco ainda estava nas equipes masculinas.
Para transformar essa situação, a Conmebol Conjunto de requisitos esportivos, de infraestrutura, administrativos e financeiros que os clubes precisam cumprir para disputar as competições da Conmebol. incluiu uma nova exigência no seu regulamento de licenciamento de clubes: a partir de 2019, quem não tivesse um time feminino de futebol não poderia competir na Libertadores masculina.
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2023: governo federal e estados flexibilizam o expediente em dias de jogos da seleção feminina
Durante a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2023, que aconteceu na Austrália e na Nova Zelândia, o governo federal permitiu que os servidores alterassem o horário de expediente nos dias de jogos da nossa seleção. As horas não trabalhadas precisavam ser compensadas depois.
O Distrito Federal e Goiás foram além e decretaram ponto facultativo nos dias de jogos da seleção.
Pode parecer um pequeno passo, mas o ato incentiva a visualização dos jogos das nossas atletas e também ajuda a fortalecer a igualdade de gênero no esporte, criando uma torcida apaixonada pelo futebol feminino no país.
2024: o Brasil é escolhido para sediar a Copa do Mundo Feminina de 2027
Em 17 de maio de 2024, em votação realizada em Bangcoc, na Tailândia, a Fifa escolheu o Brasil para sediar a Copa do Mundo Feminina de 2027. A candidatura brasileira recebeu 119 votos, contra 78 da proposta conjunta de Alemanha, Holanda e Bélgica.
Será a primeira vez que a Copa do Mundo Feminina da Fifa acontece na América do Sul. O torneio terá 32 seleções e 64 partidas, em oito cidades-sede espalhadas pelo país.
Quem são algumas das maiores jogadoras de futebol da história?
- Nettie Honeyball: capitã do British Ladies' Football Club, o primeiro clube de futebol feminino conhecido do mundo, fundado em 1895;
- Marta Vieira da Silva: conhecida por muitos como a maior jogadora de futebol da história, Marta é a maior artilheira da história das seleções brasileiras, feminina e masculina. Também foi eleita seis vezes a melhor jogadora do mundo pela Fifa, recorde entre as mulheres;
- Formiga: única atleta do mundo que participou de sete Copas do Mundo e de sete edições dos Jogos Olímpicos de Verão, também sendo a jogadora mais velha a marcar um gol em uma Copa do Mundo. É um exemplo de raça e longevidade;
- Lily Parr: marcou cerca de mil gols em sua carreira e, em 2002, foi a primeira mulher a entrar no Hall da Fama do Museu Nacional do Futebol inglês.
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Como a Petrobras investe no futebol feminino?
Temos uma estratégia ampla de patrocínios para o futebol feminino. Buscamos promover competições, estimular a formação de novas atletas e o desenvolvimento profissional e de infraestrutura, além de realizar ações para o combate ao preconceito e empoderamento feminino.
Essa iniciativa vai além dos campos, já que também ajuda a criar um ambiente mais diverso e seguro para as mulheres, além de criar uma nova base de atletas e torcedoras apaixonadas pelo esporte.
Somos a marca líder no incentivo ao futebol feminino. Em 2026, renovamos até o fim da temporada de 2027 o patrocínio às competições femininas da Federação Paulista de Futebol, que passaram a ter os nomes oficiais Paulistão F Petrobras e Copinha F Petrobras.
Em 2025, a Caravana Petrobras do Futebol Feminino, iniciativa itinerante, teve roteiro planejado por 24 cidades brasileiras entre julho e dezembro. O objetivo foi promover o protagonismo feminino no esporte e mobilizar o país para a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027, que vai ser no Brasil.
Veja um pouco mais sobre a Caravana Petrobras em 2024:
Quer conhecer todas as nossas iniciativas? Acesse a página do nosso patrocínio ao futebol feminino!
Principais competições de futebol feminino paulista patrocinadas pela Petrobras
- Paulistão F;
- Copinha F;
- Copa Paulista;
- Taça Paulistana;
- Paulistas Sub-20, Sub-17 e Sub-15;
- Festivais Sub-14 e Sub-12.
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Quer descobrir mais histórias sobre o futebol feminino?
A história do futebol feminino merece ser contada. Por isso, todo este conteúdo foi criado a partir de documentos e artigos de confiança, sejam eles de jornais ou de arquivos históricos. Quer ler mais sobre o assunto? Veja alguns dos principais conteúdos usados como referência:
- “History’s Lionesses: The British Ladies Football Team and the beautiful game in 1895” - The Nacional Archives (em inglês);
- “A Copa do Mundo de futebol feminino que ninguém sabe que aconteceu” - Exame;
- “Overlooked No More: Lily Parr, Dominant British Soccer Player” - NY Times (em inglês);
- “Baú da Política: o futebol feminino já foi proibido no Brasil e a política tem tudo a ver com isso” - Arquivo Nacional;
- “Pioneiras do esporte proibido: histórias do início do futebol feminino no Brasil” - Globo Esporte;
- “How the Women’s World Cup Evolved Into What It Is Today” - TIME (em inglês);
- “Copa 71: Film shows record-breaking women's World Cup” - BBC (em inglês).
Perguntas frequentes
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O futebol feminino foi proibido no Brasil em 14 de abril de 1941, pelo Decreto-Lei nº 3.199, que vetava às mulheres esportes considerados incompatíveis com a "natureza" feminina. Em 1965, uma nova norma citou o futebol de forma expressa. A proibição caiu em 1979, e a regulamentação veio em 1983.
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O primeiro clube de futebol feminino conhecido é o British Ladies' Football Club, criado em 1895 na Inglaterra, com Nettie Honeyball como capitã e Lady Florence Dixie como presidente. No Brasil, o time feminino do Araguari Atlético Clube, de Minas Gerais, montado em 1958, é considerado pioneiro.
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A primeira Copa do Mundo feminina oficial, organizada pela Fifa, foi em 1991, na China, com 12 seleções. Os Estados Unidos venceram a Noruega por 2 a 1 na final. Antes dela, houve torneios não oficiais em 1970, na Itália, e em 1971, no México, ambos vencidos pela Dinamarca.
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A Copa do Mundo Feminina de 2027 será disputada no Brasil, de 24 de junho a 25 de julho de 2027. As partidas vão acontecer em Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Será a primeira edição do torneio realizada na América do Sul.
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Somos a marca líder no incentivo ao futebol feminino. Patrocinamos as competições femininas da Federação Paulista de Futebol, como o Paulistão F e a Copinha F. Também firmamos convênio para construir, em Araraquara (SP), o primeiro centro de treinamento de excelência voltado exclusivamente às categorias de base do futebol feminino no Brasil.
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