A história do futebol feminino: do primeiro time à proibição e o cenário atual

Conheça o histórico do futebol feminino no mundo. Descubra algumas das principais atletas e veja como o esporte está recebendo o reconhecimento que merece.

  • O British Ladies' Football Club, fundado em 1895 na Inglaterra, é o primeiro clube de futebol feminino conhecido;
  • O futebol feminino foi proibido na Inglaterra em 1921 e no Brasil em 1941;
  • No Brasil, a proibição caiu em 1979, e a modalidade foi regulamentada em 1983;
  • Copa oficial em 1991, Olimpíadas em 1996, Libertadores em 2009 e Brasileirão em 2013 marcam a modalidade;
  • Patrocinamos o futebol feminino, e o Brasil vai sediar a Copa do Mundo Feminina de 2027.

Atualizado em 15/10/2026

Postado em 25/01/2025

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Fotografia diurna mostrando as pernas de duas jogadoras de futebol correndo atrás de uma bola em um gramado.
A história das mulheres em campo foi construída com o que o futebol tem de melhor: garra

Muito se fala que o Brasil é o país do futebol. Afinal de contas, fomos o primeiro país a conquistar cinco Copas do Mundo de futebol masculino e lançamos alguns dos maiores craques da história do esporte. E, claro, o saudoso Pelé, que foi eleito o “Atleta do Século" pelo Comitê Olímpico Internacional, em 1999.

Ainda assim, é possível notar uma certa invisibilidade das mulheres no futebol brasileiro. Boa parte desse reconhecimento todo ainda se mantém restrito à categoria masculina. Se muita gente acha que “jogar bola é coisa de menino", o motivo não é por acaso: até poucas décadas atrás, o futebol era proibido para as mulheres em diversos países.

Mas nada pode parar a energia delas. Descubra mais sobre a história do futebol feminino!

A história

Qual é a história do futebol feminino?

O futebol mundial hoje ainda parece ser dominado pelo público masculino, mas nem sempre foi assim. Já no final do século 19, havia atletas mulheres fazendo gols, dribles e história, especialmente na Inglaterra. Quando o esporte estava ganhando fama, foi proibido em vários países, incluindo o Brasil, e desencorajado por décadas.

A partir da década de 1980, o futebol feminino e o papel da mulher no futebol lentamente voltaram a ser reconhecidos. Mas somente agora estão voltando aos holofotes e a receber grandes públicos.

Infográfico mostrando os principais marcos da história do futebol feminino.
Mais de um século de desafios e conquistas marcam o futebol feminino.

Vamos explorar um pouco sobre os detalhes dessa história. Ao final deste conteúdo, você também poderá encontrar outros artigos usados como referência para se aprofundar no tema.

1894-95: surge o primeiro time de futebol feminino

Já no final do século 19, o futebol era praticado por mulheres corajosas que enfrentavam preconceitos na época. Na Inglaterra, foi fundado, então, o primeiro clube de futebol feminino conhecido: o British Ladies' Football Club. As jogadoras eram apoiadas pela presidente do clube, Lady Florence Dixie, já conhecida na época por reivindicar os direitos das mulheres.

O clube era formado por duas equipes, chamadas de Norte e Sul. E sua importância também vai além da igualdade de gênero: segundo o Arquivo Nacional do Reino Unido, acredita-se que o time Sul incluía a primeira jogadora negra britânica conhecida.

Fotografia em preto e branco de nove jogadoras do British Ladies Team, todas usando uniforme escuro.
Jogadoras do British Ladies Team (equipe Norte).   Foto: Arquivo Nacional do Reino Unido/Reprodução

1921: o futebol feminino é proibido na Inglaterra

Nas primeiras décadas do século 20, algumas atletas já haviam conquistado uma certa fama e o coração dos torcedores. É o caso da lendária Lily Parr, do Dick, Kerr Ladies. Ela ajudou a reunir 46 mil torcedores em uma partida contra o St Helens Ladies no Goodison Park, em 1920.

Alguns jornais da época falaram em 53 mil pessoas. Esse foi o maior público do futebol feminino na Inglaterra até os Jogos Olímpicos de 2012.

Em 1921, porém, a Associação de Futebol inglesa (FA) proibiu as partidas de mulheres nos campos dos clubes filiados a ela. Consideraram o esporte inadequado para elas. A partir da proibição, as atletas foram obrigadas a jogar apenas em competições não reconhecidas oficialmente, em campos e parques.

1941: o futebol feminino também é proibido no Brasil

O pensamento de que o esporte era inadequado às mulheres se espalhou e, em 1941, a proibição oficial ao futebol feminino também chegou ao Brasil. Na prática, o esporte não foi citado. Foi proibida “a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza", o que também englobou outros esportes na época.

Em 1965, uma nova norma detalhou quais esportes as mulheres não podiam praticar. O futebol passou a ser citado de forma expressa, ao lado do futebol de salão e do futebol de praia. Essa proibição caiu apenas em 1979.

Capa de jornal com foto em preto e branco de mulheres em uniforme de futebol, com a manchete “Um disparate sportivo que não deve proseguir
Carta aberta ao então presidente Getúlio Vargas, em 1940, para proibir o futebol feminino no Brasil.   Foto: Arquivo Nacional/Diário da Noite/Reprodução

1958: é criado o primeiro time de futebol feminino do país

Em 1958, o Araguari Atlético Clube, do interior de Minas Gerais, montou um time feminino que ficou conhecido como pioneiro no Brasil. A quantidade de jogadoras reunida foi suficiente para criar dois times, que visitaram cidades de diferentes estados brasileiros e lotaram estádios. O clube era ligado à Federação Mineira de Futebol (FMF).

O time recebeu até mesmo um convite para jogar no México, o que nunca aconteceu. Devido à pressão da Igreja local e do Conselho Nacional de Desportos, o time feminino do Araguari teve curta história. Chegou ao fim pouco mais de um ano depois da sua fundação.

1970 e 1971: as Copas do Mundo não oficiais

Em 1970, a Federação Internacional Europeia de Futebol Feminino (FIEFF) resolveu criar um campeonato para dar espaço às futebolistas mulheres. Para isso, sete equipes nacionais foram convidadas para competir na Itália. A Dinamarca se consagrou como a primeira seleção feminina campeã do mundo.

No ano seguinte, em 1971, a FIEFF organizou uma segunda competição mundial, dessa vez no México e com seis equipes. Mais uma vez, a Dinamarca voltou para casa vencedora. A grande final dessa Copa do Mundo reuniu cerca de 110 mil espectadores no Estádio Azteca, segundo estimativas da época. As campeãs foram recebidas como celebridades, mas, infelizmente, a competição acabou sendo esquecida pelo imaginário popular.

1983: o futebol feminino é regulamentado no Brasil

Finalmente, depois de mais de 40 anos, o futebol feminino foi regulamentado e oficializado no Brasil. No mesmo ano, foi realizada a Taça do Brasil, torneio nacional. Mas, com tantas décadas de proibição, infelizmente o esporte feminino perdeu força e até hoje está recuperando o merecido espaço.

1991: a primeira Copa do Mundo feminina reconhecida oficialmente

A primeira Copa do Mundo feminina de futebol oficial aconteceu em 1991. Três anos depois do Torneio Experimental da Fifa, realizado na China em 1988 para estudar o impacto do futebol entre mulheres.

Doze países participaram da Copa, também disputada na China. As regras eram um pouco diferentes das que conhecemos hoje: na época, os jogos tinham apenas 80 minutos de duração. O time brasileiro acabou sendo eliminado ainda na fase inicial, de grupos, e a seleção dos Estados Unidos saiu vencedora.

Time completo da seleção brasileira de 1991, com nove mulheres em pé e nove mulheres agachadas à frente, todas com uniforme do Brasil.
Seleção brasileira da primeira Copa do Mundo de futebol feminino, em 1991.   Foto: Arquivo Nacional/CBF/Reprodução

1996: o futebol feminino chega às Olimpíadas

Cinco anos após seu primeiro campeonato mundial oficial, o futebol feminino também estreou nos Jogos Olímpicos de Verão, na edição de Atlanta, em 1996. A seleção dos Estados Unidos foi campeã, e até hoje se mantém como a equipe com mais medalhas de ouro: das oito edições, até 2024, as atletas estadunidenses venceram cinco!

2013: nasce o Brasileirão Feminino

Trinta anos depois da regulamentação das mulheres no futebol no Brasil, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) criou a primeira edição do Campeonato Brasileiro exclusivo para elas: o Brasileirão Feminino.

A competição contou com as 20 melhores equipes do ranking da CBF, e o time Centro Olímpico, de São Paulo, levou o troféu para casa. A partir da competição de 2017, o número de equipes caiu para 16 e também foi criada a segunda divisão.

2019: times da Libertadores precisam ter equipes femininas

A Copa Libertadores Feminina já é disputada pelas mulheres desde 2009. Mas, alguns anos depois do surgimento da competição, o número de times sul-americanos femininos ainda era baixo. O foco ainda estava nas equipes masculinas.

Para transformar essa situação, a Conmebol Conjunto de requisitos esportivos, de infraestrutura, administrativos e financeiros que os clubes precisam cumprir para disputar as competições da Conmebol. incluiu uma nova exigência no seu regulamento de licenciamento de clubes: a partir de 2019, quem não tivesse um time feminino de futebol não poderia competir na Libertadores masculina.

💡Como se tornar jogadora de futebol profissional e ter uma carreira de sucesso no esporte

2023: governo federal e estados flexibilizam o expediente em dias de jogos da seleção feminina

Durante a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2023, que aconteceu na Austrália e na Nova Zelândia, o governo federal permitiu que os servidores alterassem o horário de expediente nos dias de jogos da nossa seleção. As horas não trabalhadas precisavam ser compensadas depois.

O Distrito Federal e Goiás foram além e decretaram ponto facultativo nos dias de jogos da seleção.
Pode parecer um pequeno passo, mas o ato incentiva a visualização dos jogos das nossas atletas e também ajuda a fortalecer a igualdade de gênero no esporte, criando uma torcida apaixonada pelo futebol feminino no país.

 2024: o Brasil é escolhido para sediar a Copa do Mundo Feminina de 2027

Em 17 de maio de 2024, em votação realizada em Bangcoc, na Tailândia, a Fifa escolheu o Brasil para sediar a Copa do Mundo Feminina de 2027. A candidatura brasileira recebeu 119 votos, contra 78 da proposta conjunta de Alemanha, Holanda e Bélgica.

Será a primeira vez que a Copa do Mundo Feminina da Fifa acontece na América do Sul. O torneio terá 32 seleções e 64 partidas, em oito cidades-sede espalhadas pelo país.

As jogadoras

Quem são algumas das maiores jogadoras de futebol da história?

  • Nettie Honeyball: capitã do British Ladies' Football Club, o primeiro clube de futebol feminino conhecido do mundo, fundado em 1895;
  • Marta Vieira da Silva: conhecida por muitos como a maior jogadora de futebol da história, Marta é a maior artilheira da história das seleções brasileiras, feminina e masculina. Também foi eleita seis vezes a melhor jogadora do mundo pela Fifa, recorde entre as mulheres;
  • Formiga: única atleta do mundo que participou de sete Copas do Mundo e de sete edições dos Jogos Olímpicos de Verão, também sendo a jogadora mais velha a marcar um gol em uma Copa do Mundo. É um exemplo de raça e longevidade;
  • Lily Parr: marcou cerca de mil gols em sua carreira e, em 2002, foi a primeira mulher a entrar no Hall da Fama do Museu Nacional do Futebol inglês.
Fotografia antiga, em preto e branco, da jogadora Lily Parr usando uniforme branco de manga comprida.
Lily Parr foi uma das precursoras do futebol feminino e jogou por 35 anos. Foto: BBC/Reprodução

💡6 jogadoras da seleção brasileira que marcaram a história do esporte e você precisa conhecer

Investimento no futebol

Como a Petrobras investe no futebol feminino?

Temos uma estratégia ampla de patrocínios para o futebol feminino. Buscamos promover competições, estimular a formação de novas atletas e o desenvolvimento profissional e de infraestrutura, além de realizar ações para o combate ao preconceito e empoderamento feminino.

Essa iniciativa vai além dos campos, já que também ajuda a criar um ambiente mais diverso e seguro para as mulheres, além de criar uma nova base de atletas e torcedoras apaixonadas pelo esporte.

Somos a marca líder no incentivo ao futebol feminino. Em 2026, renovamos até o fim da temporada de 2027 o patrocínio às competições femininas da Federação Paulista de Futebol, que passaram a ter os nomes oficiais Paulistão F Petrobras e Copinha F Petrobras.

Em 2025, a Caravana Petrobras do Futebol Feminino, iniciativa itinerante, teve roteiro planejado por 24 cidades brasileiras entre julho e dezembro. O objetivo foi promover o protagonismo feminino no esporte e mobilizar o país para a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027, que vai ser no Brasil.

Veja um pouco mais sobre a Caravana Petrobras em 2024:

Quer conhecer todas as nossas iniciativas? Acesse a página do nosso patrocínio ao futebol feminino!

Principais competições de futebol feminino paulista patrocinadas pela Petrobras

  • Paulistão F;
  • Copinha F;
  • Copa Paulista;
  • Taça Paulistana;
  • Paulistas Sub-20, Sub-17 e Sub-15;
  • Festivais Sub-14 e Sub-12.

💡O que é Cartola Feminino, como jogar e de que forma o game fantasy fortalece o futebol feminino

Mais histórias

Quer descobrir mais histórias sobre o futebol feminino?

A história do futebol feminino merece ser contada. Por isso, todo este conteúdo foi criado a partir de documentos e artigos de confiança, sejam eles de jornais ou de arquivos históricos. Quer ler mais sobre o assunto? Veja alguns dos principais conteúdos usados como referência:

Perguntas frequentes

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