Saberes tradicionais e ciência moderna: como práticas e conhecimentos ancestrais estão transformando as pesquisas científicas
Veja como saberes tradicionais indígenas, quilombolas e comunitários ampliam as fronteiras da ciência e criam soluções para o futuro.
Muito do que a ciência estuda hoje, os povos originários já sabiam há séculos. Durante muito tempo, o modelo científico ocidental tratou os saberes tradicionais como algo produzido exclusivamente dentro de instituições formais. Hoje, pesquisadores reconhecem que essas práticas ancestrais não apenas coexistem com a ciência moderna, mas na verdade as ampliam.
Antes de existir laboratório e protocolos, existia observação e escuta na natureza. Os saberes ancestrais de povos indígenas, comunidades quilombolas e populações periféricas foram construídos ao longo de gerações. São conhecimentos testados, aprimorados e transmitidos pela experiência coletiva de quem vive em profunda relação com o território e com a vida.
Descubra a importância dos saberes tradicionais para a ciência e como a Seleção Petrobras de Jornalismo está ajudando a dar voz a eles.
O que são saberes tradicionais?
O que você toma quando está resfriado? Existe uma boa chance de que, em algum momento, um saber popular tenha dado origem àquele remédio. A aspirina é feita com o salicilato encontrado na casca do salgueiro, uma planta usada por povos originários há milênios. A quinina, base de tratamentos contra malária, veio do conhecimento dos povos andinos sobre a casca da quina.
Com o avanço e a predominância da ciência de laboratórios, outras formas de cuidado que existiam antes da biomedicina foram sendo marginalizadas. Essa mudança consolidou a ideia de que a saúde está ligada exclusivamente ao corpo biológico, desconsiderando práticas tradicionais que são tão eficazes quanto os medicamentos encontrados nas prateleiras das farmácias.
A ciência moderna avançou muito, mas não partiu do zero: ela iniciou, em grande medida, de saberes tradicionais que já existiam antes dos centros de pesquisa. Mas essa transformação não aconteceu da noite para o dia.
Saberes tradicionais nas universidades
A presença de povos originários nas universidades brasileiras cresceu expressivamente nos últimos anos. O Censo de Educação Superior revelou que o número de matrículas de estudantes autodeclarados indígenas chegou a 70 mil. Entre 2011 e 2021, o número de matrículas de estudantes indígenas no ensino superior aumentou 374%.
Todo conhecimento tradicional dos povos originários é baseado em sistemas elaborados de observação, experimentação e transmissão intergeracional, desenvolvidos ao longo de séculos em contato direto com ecossistemas que a ciência ocidental ainda estuda.
Aos poucos, toda essa sabedoria milenar está entrando nos laboratórios e centros de pesquisa.
Como a Seleção Petrobras de Jornalismo dá voz aos saberes tradicionais?
Dar visibilidade a essas narrativas é o papel principal do jornalismo. As reportagens mostram que o saber de uma comunidade funciona e pode ser comprovado, e isso abre caminho para políticas públicas e reconhecimento legal que antes não existiam.
A Seleção Petrobras de Jornalismo foi criada para incentivar a pesquisa e apuração de fatos que ficam escondidos nos lugares mais distantes de nosso país. Por meio da imprensa, as matérias premiadas demonstram o quanto a ciência e a sociedade ganham ao incluir e dar voz às pessoas que detém os saberes tradicionais, mas que foram historicamente invisibilizadas.
Confira reportagens sobre saberes tradicionais que foram premiadas na Seleção Petrobras de Jornalismo - Ciência e Diversidade.
1. Medicina indígena: diálogos da ciência e conhecimentos tradicionais
Essa série de reportagens de Mauricio Max para a BandNews Difusora, de Manaus, investiga os avanços e os entraves do reconhecimento da medicina indígena no sistema de saúde convencional, mostrando que ainda existe um longo caminho a ser percorrido antes de incorporar práticas e plantas medicinais indígenas de forma estruturada e respeitosa no sistema de saúde tradicional.
▶️ Assista às reportagens no YouTube
2. A Ciência das Margens
No Sul do Brasil, essa reportagem de André Silva, Juliana Tahamtani e Letícia Fagundes mostrou como mulheres negras, indígenas e periféricas lideram ações de resposta aos danos causados pelas mudanças climáticas, a partir de saberes locais sobre o território.
Foram elas que mapearam riscos, identificaram padrões e criaram soluções baseadas na natureza que o planejamento urbano oficial ainda não havia considerado.
▶️ Assista à reportagem completa no YouTube
3. Educação de Resistência: saberes quilombolas como horizonte pedagógico
Em Pernambuco, a reportagem de Giovana Carneiro mostra que a educação quilombola preserva formas únicas de entender o mundo. Os povos quilombolas têm sua própria inteligência sobre território, natureza, convivência e memória coletiva, uma herança cultural e intelectual que os currículos convencionais simplesmente não alcançam.
4. Lagoa na Pedra
Baseado na pesquisa de mestrado da professora Viviane Alves, Lucas Xavier mostra os desafios para educar jovens e adultos no campo dentro da comunidade quilombola Lagoa da Pedra, no interior de Pernambuco.
O filme busca resgatar e preservar a história dessa comunidade que tem raízes no Quilombo dos Palmares e, como aponta Viviane, foi sistematicamente ocultada.
▶️ Assista ao documento completo no YouTube
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