Invisibilidade social e minorias esquecidas: como proteger e ajudar quem vive em realidades ignoradas

Conheça reportagens premiadas pela Seleção Petrobras de Jornalismo que mostram como a ciência pode dar voz à quem sofre com a invisibilidade social.

Atualizado em 08/06/2026

Postado em 19/05/2026

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Quando nenhum estudo investiga, nenhum dado registra e nenhuma câmera aponta para comunidades negligenciadas, seus problemas seguem existindo, só que permanecem em silêncio, sem nome e sem cura.

É nesse vácuo que o jornalismo e a ciência descortinam a realidade, porque tornar visível é o primeiro passo para transformar.

O que é invisibilidade social?

A invisibilidade social é quando todos os olhos desviam de problemas que atingem grandes populações, mas são grupos vulneráveis que muitas vezes não ocupam espaços onde suas dores possam ser ouvidas.

Quais são os problemas causados pela invisibilidade social?

Há problemas que existem há décadas, mas só ganham alcance para o sistema quando alguém decide contá-los.

A exclusão social não é só a falta de acesso a serviços básicos e políticas públicas. É também a falta de dados sobre quem você é, onde vive e do que adoece. Sem pesquisa, não há política pública. Sem políticas públicas, grupos minorizados seguem resolvendo sozinhos problemas que deveriam ser responsabilidade coletiva.

Para trazer novos olhares a comunidades que sofrem com a invisibilidade social, a Seleção Petrobras de Jornalismo - Ciência e Diversidade premiou reportagens de todo o país sobre grupos sub-representados na sociedade e também iniciativas científicas com foco em diversidade e inclusão. No total, foram 15 matérias selecionadas e R$ 300 mil investidos para suas realizações.  

Confira as reportagens vencedoras que destacam histórias de invisibilidade social e minorias esquecidas.

1. Ciência e Humanização contra o escalpelamento

A reportagem, de Tereza Coelho para O Estado do Pará, mostra como iniciativas de educação junto de pesquisas científicas e serviços públicos estão mudando a realidade de meninas e mulheres ribeirinhas de rios da Amazônia que convivem há décadas com o risco de escalpelamento — um acidente brutal causado pelo contato dos cabelos com o eixo do motor de embarcações.

Foram 483 ocorrências de escalpelamento só no Estado do Pará entre 1960 e 2022. Das vítimas, 98% são mulheres e 67% são crianças e adolescentes entre 2 e 18 anos, que sofreram por mais de 40 anos a dor do acidente e do abandono, já que até o começo dos anos 2000 não havia protocolo de atendimento para esses casos. 

   💡 Leia a matéria premiada completa

 

2. Doença fatal e pouco conhecida avança no Brasil

No cerrado brasileiro, trabalhadores padecem com uma doença que os médicos demoram a identificar. A paracoccidioidomicose é a micose sistêmica que mais mata no Brasil, mas foi erroneamente diagnosticada por anos.

Um estudo da pesquisadora Rosane Hahn, identificou a infecção provocada por um fungo do solo que se instala nos pulmões. A reportagem de Madu Toledo, publicada no Metrópoles, revelou essa história e trouxe à tona o mal que aflige principalmente agricultores, garimpeiros e trabalhadores da construção civil.

   💡 Leia a matéria premiada completa

 

3. Estudo inédito revela alta incidência de doença renal crônica entre indígenas

Em Pernambuco, um estudo da Universidade Federal do Vale do São Francisco junto à comunidade indígena Truká revelou que 1 a cada 10 adultos apresentam sinais de Doença Renal Crônica. Esse indicador de saúde alarmante foi revelado na reportagem  de Fernando Alves de Oliveira, exibida na TV Pernambuco, que mostrou o que até então não existia nos registros oficiais sobre saúde indígena no Brasil.

  💡 Assista à reportagem premiada no YouTube
 

4. Viver é Resistir: A Saúde Mental de Pessoas Trans na Amazônia

A diversidade de territórios e saberes não enfraquece a pesquisa científica, na verdade ela é o que expande. Pesquisadores que saem de realidades historicamente ignoradas, como indígenas, quilombolas e comunidade LGBTQIAPN+, trazem suas visões únicas para investigar possibilidades de crescimento e libertação de seus grupos.

As problemáticas pesquisadas também são sobre saúde mental, como abordou a série de 4 reportagens escrita por Luciana Araújo para o Correio de Carajás (PA). Uma pesquisa da Unifesspa mostrou que 85,4% das pessoas não-binárias precisavam de atenção clínica especializada e revela como as vivências pessoais e sociais afetam a saúde mental deste grupo. 

 

Leia as 4 reportagens da série ”Viver é Resistir”:

💡 Pesquisa da Unifesspa em Marabá dá voz à dor de pessoas trans e não-binárias

💡 Saúde mental é ter direitos básicos: um olhar sobre a realidade de pessoas trans em Marabá 

💡 Falta de acolhimento institucional amplia sofrimento mental de pessoas LGBTI+ em Marabá

💡 Entre universidade e ONGs, Marabá constrói redes de apoio à população LGBTI+

 

Outras matérias vencedoras do Seleção Petrobras de Jornalismo

→ Saberes tradicionais e ciência moderna: como práticas e conhecimentos ancestrais estão transformando as pesquisas científicas

→Quem constrói a ciência do Brasil? Reportagens sobre pessoas negras na ciência vencem prêmio de jornalismo

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