Como a baleia-jubarte se salvou da quase extinção

A baleia-jubarte quase desapareceu do Brasil nos anos 60, mas o Projeto Baleia Jubarte conseguiu aumentar a população para mais de 34 mil animais.

Atualizado em 15/10/2026

Postado em 17/11/2025

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Como reverter a quantidade de indivíduos de uma espécie em grave risco de extinção, com apenas 500 representantes no nosso país, em um grupo grande a ponto de recuperar sua população quase que totalmente no Brasil? Foi esse o desafio que o Projeto Baleia Jubarte encontrou pela frente quando foi fundado, em 1988. Mas com muito trabalho, pesquisa e o nosso apoio, o projeto conseguiu resultados impressionantes.

Antes de chegar nesse presente animador, ainda cheio de desafios, vamos entender melhor o quão complicada já foi a situação dessa espécie no país e no mundo. 

A complicada situação das baleias nos anos 1900

Provando que é possível ser gigante e ainda assim sofrer muito, a situação das baleias-jubarte no século XX era terrível. Intensamente caçadas, elas tiveram sua população drasticamente reduzida a menos de 5% de seus números originais, com mais de 200 mil baleias mortas no hemisfério sul, apenas entre os anos de 1903 e 1973.

Por séculos, a caça às baleias foi uma atividade extrativista importante para diversos países. O óleo extraído, por exemplo, era muito usado na iluminação, na fabricação de sabão, cosméticos e lubrificantes. 

Com o tempo, novas soluções passaram a substituir essas aplicações. O próprio petróleo passou a ser usado na iluminação, através do óleo de querosene, o que foi reduzindo gradualmente a demanda pelo óleo de baleia.

Ainda assim, a caça predatória continuou ao longo do século XX, levando a população de jubartes a níveis críticos. Mas tudo mudou com a segunda metade do século, com o crescimento do movimento global de conservação marinha.

Foi nesse cenário que surgiu o Projeto Baleia Jubarte, em 1988, iniciativa pioneira de pesquisa e proteção da espécie. O baita desafio era salvar da extinção uma população que era estimada em cerca de 500 representantes na costa brasileira. Por onde começar então?

💡 Saiba como as baleias e os golfinhos se comunicam e como os protegemos

Banco dos Abrolhos: pesquisa e conservação para proteger as baleias-bebês

Uma das primeiras descobertas que o projeto realizou em seus primeiros anos de pesquisa foi de que o Banco dos Abrolhos, um importante conjunto de ecossistemas marinhos encontrado entre a Bahia e o Espírito Santo, era a principal área de concentração das baleias-jubarte no Brasil. 

O motivo era muito especial: era ali que elas se reuniam para acasalar e dar à luz aos seus filhotes. E por ser uma espécie de gestação longa (quase doze meses) e que tem apenas um filhote por vez, era essencial proteger esse espaço, durante o período da presença delas, entre junho e novembro. E foi isso que o Projeto Baleia Jubarte fez, contando com o nosso apoio.

No primeiro ano de patrocínio, nós suspendemos, de maneira voluntária, a realização de prospecções sísmicas na região. Era um período em que ainda não havia legislação regulamentando ações desse tipo. Essa foi apenas a primeira de diversas ações visando proteger essa região tão importante para as baleias-jubarte no Brasil.

Outras ações do Projeto Baleia Jubarte e mais crescimento populacional

Baleia-jubarte fotografada submersa nas águas do oceano, com vista parcial da superfície ao fundo.
A baleia-jubarte é monitorada de perto pelo Projeto Baleia Jubarte, com o nosso apoio para garantir a conservação da espécie no litoral brasileiro.

 Com o tempo, outras ações vieram. Foram feitos estudos sobre a ecologia e distribuição das baleias, assim como o monitoramento de seu tamanho, permitindo avaliar se as medidas de proteção surtiam efeito e também quais áreas eram prioritárias para sua conservação. 

Por meio da educação ambiental e da divulgação nas mídias, as baleias-jubarte se tornaram conhecidas pelos brasileiros e as pessoas se engajaram em sua proteção. Além do fomento ao turismo de observação ter contribuído para a sensibilização ambiental e também se mostrar como alternativa econômica para a caça.

Também foram essenciais as informações geradas pela pesquisa, pois ajudaram a subsidiar as políticas do Governo Brasileiro de conservação de baleias e golfinhos. Seja internamente, mas também em fóruns internacionais.

Um exemplo são os censos aéreos realizados pelo Projeto. Os dados ajudam a identificar áreas onde há maior concentração de baleias, que podem ser consideradas para a criação de Unidades de Conservação. Também há o apoio de ações para diminuir os impactos das atividades humanas sobre a espécie.

O Projeto ainda  ajuda a formar novos pesquisadores, que seguem contribuindo para a pesquisa e a conservação do ambiente marinho.

Com todo este esforço conjunto, as jubartes estão voltando a ocupar suas áreas de ocupação originais, que vão do Rio Grande do Norte a São Paulo. Avistagens ao norte e ao sul do Banco dos Abrolhos têm se tornado mais frequentes, como na Bacia de Campos (RJ) e no entorno de Ilhabela (SP).  

O litoral central de São Paulo também já recebe navios de pesquisa para monitorar a presença da espécie na região. Atualmente, as jubartes podem ser avistadas do Piauí ao Rio Grande do Sul.

💡 Conheça nossos projetos socioambientais: do peixe-boi ao futuro da nossa biodiversidade

Novos objetivos na preservação das baleias-jubarte

Com o aumento da população de baleias-jubarte no Brasil, que em 2014 saiu da lista de espécies em extinção, hoje a espécie já atinge mais de 34 mil representantes no nosso litoral, e surgem novos desafios.

Um deles envolve o convívio harmonioso dessa população com outras atividades econômicas e de lazer realizadas no mar, como:

  • Evitar colisões com embarcações ou equipamentos de pesca;
  • Garantir o crescimento ordenado das atividades de turismo de observação;
  • Compreender como as mudanças climáticas podem afetar essa população.
Duas pesquisadoras do Projeto Baleia Jubarte, com camisetas da Petrobras, observam uma baleia-jubarte saltando no oceano a partir de uma embarcação.
Pesquisadoras do Projeto Baleia Jubarte acompanham o monitoramento das baleias no litoral brasileiro.

Em todos esses desafios, o Projeto Baleia Jubarte vem contando com o nosso apoio desde 1996, com sucessivas renovações nesta parceria, em que reafirmamos nosso compromisso com o meio ambiente. Queremos continuar ao lado do Projeto Baleia Jubarte nessa jornada, reforçando a importância da pesquisa e do monitoramento para a preservação e cuidado com esses mamíferos marinhos. 

💡 Conheça mais sobre os projetos de conservação marinha que apoiamos

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