Quem constrói a ciência do Brasil? Reportagens sobre pessoas negras na ciência vencem prêmio de jornalismo
Conheça as reportagens sobre pessoas negras na ciência que venceram o Seleção Petrobras de Jornalismo e destacam a representatividade feminina.
Desafios e avanços de Pessoas negras na ciência no Brasil
A pesquisa científica brasileira tem uma dívida histórica com as pessoas negras na ciência. Por séculos, elas foram afastadas das universidades, dos laboratórios e dos debates que moldaram o conhecimento do país. Hoje, esse cenário começa a mudar.
O Brasil é um país onde a população negra representa 55,7% da população, segundo o IBGE. Mas quando o olhar se volta à pesquisa e docência em universidades, vemos que mulheres pretas ocupam menos de 3% das cadeiras, segundo o Censo da Educação Superior de 2023.
Por que a representatividade negra é importante na ciência?
Mesmo correspondendo a maior parcela da população brasileira com mais de 60 milhões de pessoas, as pessoas negras, com destaque para as mulheres, muitas vezes não se enxergam nas universidades.
Crescer sem ver ninguém como você ocupando um laboratório, assinando uma descoberta ou dando aulas na universidade não é só uma lacuna afetiva. A falta de representatividade negra nesses espaços é uma mensagem silenciosa e contínua de que aqueles lugares não parecem ser para todos.
Quando essa mensagem é repetida por anos, dentro de escolas, de casa e nas instituições, ela deixa de ser uma impressão e passa a ser uma estrutura. Diante disso, a pesquisa cientifica deve ser antirracista para incentivar pessoas negras na ciência.
Como a Seleção Petrobras de Jornalismo deu voz a pessoas negras na ciência brasileira?
Antes de ocupar laboratórios, mexer em amostras e dados, pessoas negras precisaram ocupar o direito de existir no conhecimento. Para iluminar esse debate, a 1ª edição da Seleção Petrobras de Jornalismo teve como tema “Ciência e Diversidade”, e premiou reportagens realizadas por pessoas de grupos sub-representados, além de iniciativas científicas que tinham a diversidade e a inclusão como objeto de pesquisa.
Os jornalistas contemplados receberam bolsas de R$ 20 mil reais para produzirem as matérias, totalizando um investimento de R$ 300 mil — a maior premiação no Brasil para bolsas de reportagem!
Cada reportagem vencedora apresentada a seguir parte de um lugar diferente, mas converge para o mesmo ponto: o espaço das pessoas negras nas universidades e pesquisas em todo o país.
Podcast “Neurociência e racismo”
Criado por Mônica Herculano, o episódio especial “Neurociência e racismo” debateu como estereótipos raciais e preconceitos são processados pelo cérebro e de que forma podemos combater o racismo a partir das descobertas sobre o funcionamento cerebral.
🎧 Ouça o podcast: Neurociência e racismo
Para uma ciência antirracista: as meninas e mulheres negras na pesquisa científica
A série de quatro matérias da Rádio Comunitária FM, de Frederico Westphalen (RS), produzida por Lavínia Machado e Rodrigo Alcântara Davila, que desbravou os desafios da população negra feminina na ciência brasileira e os avanços nos últimos anos.
Podcast Ciência Preta
O podcast, de Alexandre Silva de Santana, resgata a trajetória de personalidades negras na ciência que raramente aparecem nos livros didáticos.
Em um dos episódios, se discute o apagamento do continente africano na narrativa científica global. Em outro, a biomédica Jaqueline Goes de Jesus, responsável pelo sequenciamento do genoma do coronavírus no Brasil em apenas 48 horas, é apresentada como o que de fato é: uma das maiores cientistas do país.
🎧 Ouça o podcast: Para uma ciência antirracista: as meninas e mulheres negras na pesquisa científica
“Cartas para o Amanhã: Lélia Gonzalez, presente!”
O podcast Redes FAC, produzido por Luana Silveira, traz o legado da filósofa e antropóloga Lélia Gonzalez, uma das mais importantes pensadoras do feminismo negro brasileiro, como fio condutor para debater a presença de mulheres negras e indígenas no mundo acadêmico.
🎧 Ouça o podcast: Cartas para o Amanhã: Lélia Gonzalez, presente!
Por que debater sobre pessoas negras na ciência vai além da representatividade?
Como demonstram as reportagens, a presença negra na ciência é mais do que uma questão de representatividade. Elas são essenciais para a soberania científica e a inovação tecnológica no país.
Quando pessoas negras lideram pesquisas, elas ampliam as perguntas que a ciência faz ao mundo. Sem essas vozes, o universo científico seguiria perpetuando os mesmos vieses de sempre. Um país que desperdiça esse potencial fragiliza sua própria capacidade de inovar.
Como nós apoiamos a inclusão de cientistas negras no mercado de energia
Não há transição energética sem a diversidade de quem a constrói. A transformação começa com mudanças internas, e por isso assumimos a meta de chegar a 25% de mulheres e 25% de pessoas negras em cargos de liderança até 2030 como compromisso de diversidade, equidade e inclusão.
A trajetória das pessoas negras na ciência brasileira é feita de resistência, inteligência e incentivo às futuras cientistas. Conhecer essas histórias não é apenas um ato de justiça histórica: é uma forma de ampliar o que entendemos por ciência, por futuro e por Brasil.
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